Vai passar por uma perícia médica, no INSS ou na Justiça, e não se sente seguro? Essa insegurança é comum, e tem uma explicação: muitos processos são perdidos não por falta de direito, mas por falta de uma documentação técnica adequada, ou pela dificuldade em explicar as limitações funcionais ao perito.
O que o perito avalia de fato
O perito não avalia apenas se a pessoa tem uma doença. Ele avalia o que a doença impede a pessoa de fazer: a repercussão funcional. Um diagnóstico grave com boa resposta ao tratamento pode não gerar incapacidade; um diagnóstico aparentemente simples, mas com limitações importantes e mal documentadas, pode ser decisivo e ainda assim passar despercebido.
Por isso, o que pesa na perícia é a combinação de três elementos:
- Diagnóstico estabelecido, com exames e relatórios consistentes entre si;
- Tratamento documentado, com datas, medicações, respostas e intercorrências;
- Limitações funcionais descritas: o que a pessoa não consegue fazer no trabalho e na vida diária, e desde quando.
Os erros mais comuns
Na prática pericial, alguns problemas se repetem: relatórios médicos genéricos, sem data de início dos sintomas; exames antigos ou desatualizados; ausência de registro das crises ou afastamentos; e, com frequência, o próprio periciando minimizando suas limitações por constrangimento ou por não saber o que é relevante dizer.
Como a documentação técnica ajuda
Um parecer médico detalhado, preparado antes da perícia, organiza a história clínica em ordem cronológica, relaciona cada limitação ao diagnóstico e aponta o que a literatura médica diz sobre a condição. Esse documento é juntado aos autos e serve de referência para o perito, para o advogado e para o juiz.
Quando o processo já está em curso, a assistência técnica em perícias judiciais vai além: o assistente técnico formula quesitos, acompanha a perícia e analisa criticamente o laudo, apontando omissões ou inconsistências que possam prejudicar o resultado.
Como se preparar para o dia da perícia
- Leve todos os documentos originais e organizados por data: exames, relatórios, receitas, atestados e comprovantes de afastamento.
- Descreva as limitações com exemplos concretos do dia a dia, sem exagerar nem minimizar.
- Informe os tratamentos feitos e por que eventualmente foram interrompidos.
- Se houver assistente técnico, combine com ele o que precisa estar documentado antes do exame.
Suporte especializado em Brasília
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Sobre o autor — Dr. André Martins Dantas Santana
Médico · CRM/DF 17.607 · RQE 26.024 (Medicina Legal e Perícia Médica). Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Título de Especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas (ABMLPM). Pós-graduado em Perícias Médicas e Medicina Legal (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), em Psiquiatria Forense (IPq-HCFMUSP), em Psiquiatria (CENBRAP) e em Psicofarmacologia (Faculdade Unypública – PSIQS); pós-graduando em Medicina do Trabalho (HCFMUSP). Perito credenciado no TJDFT, TRT-10 e TRF-1. Diretor Técnico da Fraternité Saúde.
Revisão técnica: 21/10/2026 · Currículo Lattes · ORCID · Perfil na Fraternité
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